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Médicos alertam: este hábito errado enfraquece os músculos das costas.

Pessoa jovem a relaxar com os braços atrás da cabeça sentada numa cadeira junto a secretária com portátil e smartphone.

São 10h17 num consultório de ortopedia em Colónia, e o ar cheira a desinfetante e a café frio. Numa cadeira diante da secretária está sentada uma mulher na casa dos 30, leggings de desporto, portátil na mala, os ombros ligeiramente curvados para a frente. «Não percebo», diz ela, «corro, faço ioga - e mesmo assim as minhas costas ficam cada vez mais fracas.» O médico carrega algumas vezes nas teclas, vira-se para ela e diz a frase que ainda vou ouvir mais quatro vezes naquela manhã: «O problema não é o que faz no desporto, mas o que faz com as suas costas durante o resto do dia.»

Falamos raramente dessas horas.

E é precisamente aí que se esconde o hábito errado para o qual os médicos já estão a alertar com muito mais insistência.

O hábito silencioso que enfraquece a musculatura das costas todos os dias

A maioria dos doentes que entra na sala de tratamento naquela manhã traz o mesmo padrão: trabalha sentado durante muito tempo e “afunda-se” na cadeira. A bacia roda para trás, a zona lombar arredonda-se, a cabeça avança para a frente. O que parece inofensivo é, na verdade, uma espécie de estado de desligamento permanente para a musculatura das costas. Os músculos responsáveis por nos manter direitos deixam de participar e tornam-se passivos.

É precisamente essa passividade prolongada que constitui o hábito errado para o qual os médicos avisam cada vez mais: horas seguidas de sentar passivamente, numa postura colapsada. Não se trata apenas de “estar muito sentado”, mas daquele afundar suave em que a cadeira passa a fazer o trabalho que deveria ser feito pela musculatura.

Mais tarde, ao fim do dia, uma ortopedista de Berlim mostra-me uma fotografia que um doente lhe enviou: teletrabalho na cama, portátil pousado nas pernas, a cabeça meio enterrada na almofada. «Ele estava orgulhoso da sua configuração», diz ela, soltando uma breve gargalhada, não por maldade, mas quase com desespero. Depois mostra-me uma estatística do software da clínica: nos últimos três anos, o número de problemas funcionais de costas diagnosticados em doentes com menos de 40 anos aumentou de forma clara.

Conhecemos bem esse momento: a avalanche de e-mails atira-nos para fora do tempo e, de repente, damos conta de que já passaram duas horas sem nos levantarmos sequer uma vez. Os ombros ardem um pouco, a zona lombar puxa, mas a próxima chamada começa já de seguida. O mau hábito não parece dramático. Sente-se apenas como “só mais uma coisa para acabar rapidamente”.

Do ponto de vista médico, o que acontece é bastante lógico: quando os músculos deixam de trabalhar de forma ativa durante muito tempo, começam a atrofiar. Os músculos profundos de estabilização das costas funcionam como um cinto de segurança da coluna. Se lhes retiramos diariamente esse trabalho, ao “afundarmo-nos” na cadeira, eles desaprendem a sua função. Primeiro as costas cansam-se, depois ficam sensíveis e, por fim, tornam-se mais propensas à dor. Os discos intervertebrais passam a ser mais solicitados porque a musculatura já não amortece tudo como deve ser.

Os médicos gostam de explicar isto com uma imagem simples: imagine que o seu tronco é uma tenda. A coluna é o mastro, a musculatura são as cordas. Se as cordas ficarem moles, o mastro continua de pé, mas qualquer rajada de vento o desequilibra. É esse desequilíbrio que, mais tarde, acaba por se fazer sentir em cada pequeno movimento.

Como acordar a musculatura das costas no dia a dia

Os médicos e médicas com quem falei para este texto dizem todos o mesmo: não precisa de se tornar um atleta de competição, só precisa de sair do modo de passividade prolongada. Um método simples, que muitos especialistas em costas recomendam de facto, é o do “sentar ativo” em pequenas doses. A cada 20–30 minutos, mude brevemente a posição de sentado: avance até à beira da cadeira, assente bem os pés no chão, endireite a coluna, como se quisesse crescer um pouco por dentro.

Só durante 60 a 90 segundos. Não mais. Pequenos sinais de despertar para a musculatura, distribuídos ao longo do dia. A médica de Berlim chama-lhe “microtreino sem roupa de desporto” - e, na sala de espera ao lado, um consultor de TI diz-me que, com isso, conseguiu reduzir as dores para metade em três meses.

No início, muita gente comete o mesmo erro: tenta sentar-se “direita” de forma perfeita, de um dia para o outro. Peito para fora, ombros para trás, tudo em tensão. Ninguém aguenta isso durante muito tempo e, passados dez minutos, acabam ainda mais encolhidos do que antes. Sejamos honestos: ninguém mantém uma postura artificialmente direita durante oito horas em frente ao ecrã, por muitos guias de ergonomia que tenha lido.

Um médico em Munique diz-o assim: «A postura perfeita não existe, existe apenas a próxima postura.» Ou seja: o movimento vence a perfeição. Se, de vez em quando, se deixar cair, isso não é um drama, desde que as costas recebam trabalho verdadeiro com regularidade. Pequenas interrupções - levantar-se ao telefone, fazer duas agachamentos lentos na cozinha, ouvir uma reunião de pé por instantes - são, para muitas pessoas, mais realistas do que um plano rígido de postura que acaba na gaveta ao terceiro dia.

Um especialista em costas de Hamburgo resume a questão desta forma:

«Não é o ato de estar sentado, em si, que destrói as costas, mas sim sentar-se imóvel, na mesma postura afundada, dia após dia, ano após ano. As costas são um órgão de movimento, não um móvel.»

Para lhe ser mais fácil guardar os pontos decisivos, aqui fica a essência das recomendações médicas:

  • O sentar passivo e afundado é a verdadeira “armadilha para as costas”, e não cada hora isolada à secretária.
  • Várias mudanças curtas de postura e micromovimentos por hora fortalecem a musculatura das costas de forma mais eficaz do que uma única sessão de exercício por semana.
  • O dia a dia molda as suas costas mais do que o seu treino - para o bem e para o mal.
  • A dor muitas vezes aparece com atraso, e muitos doentes subestimam o enfraquecimento gradual.
  • Já três a cinco “momentos de costas” conscientes por dia podem, ao longo do tempo, fazer a diferença.

O que fica quando olhamos com honestidade para o nosso dia a dia das costas?

Quando se passam algumas horas numa sala de espera com doentes com dores de costas, percebe-se depressa que a maioria das histórias é parecida. Não são acidentes dramáticos, nem lesões desportivas extremas. São carreiras passadas sentados, noites no sofá, viagens de comboio com os ombros curvados sobre o telemóvel. Anos silenciosos em que a musculatura desaprende para que serve.

E depois chega aquele momento em que o corpo diz “não” - ao calçar as meias, ao levantar uma caixa banal, às vezes apenas ao espirrar.

Quem percebe uma vez que o hábito errado é muitas vezes precisamente esse afundar-se suave e automático passa a ver o próprio dia de maneira diferente. A cadeira do escritório deixa de ser apenas um móvel e passa a ser um lugar onde se abdica de responsabilidade, ou onde se vai recuperando essa responsabilidade aos poucos. Um temporizador no telemóvel torna-se um lembrete não só para beber água, mas também para tirar as costas da letargia por breves instantes.

Nenhum médico espera que nos tornemos gurus das costas. A maior parte já ficaria satisfeita se deixássemos de encarar o sentar passivo e pendurado como algo “neutro” e passássemos a vê-lo pelo que realmente é: um plano lento, mas consistente, de perda muscular. Talvez esse seja o verdadeiro ponto de viragem - não um novo programa de fitness, mas a pergunta honesta: quantas horas por dia estou, de facto, a dar às minhas costas atividade real?

Ponto central Detalhe Valor acrescentado para o leitor
Hábito errado Sentar passivamente, afundado, durante muitas horas Compreende porque é que as costas podem ficar mais fracas apesar do desporto
Mecanismo A musculatura das costas desliga-se e os músculos profundos de estabilização atrofiam Reconhece o processo gradual por trás das dores recorrentes
Solução para o dia a dia Mudanças regulares de postura, micromovimentos e pequenos períodos de sentar ativo Recebe estratégias imediatas e realistas para fortalecer as costas

Perguntas frequentes sobre as costas:

  • Quantas horas por dia sentado ainda são “aceitáveis” para as costas? A maioria dos especialistas considera crítico tudo o que ultrapasse seis a sete horas sentado de forma contínua, quando isso acontece sem pausas para movimento. O que mais importa não é o número exato de horas, mas sim a frequência com que muda ativamente de postura e de posição.
  • Chega se eu for ao ginásio duas vezes por semana? Para a condição física geral, isso é bom; para a musculatura das costas, muitas vezes não basta. Se os restantes dias forem passados em sentar passivo, a degradação do dia a dia pode, em parte, “sobrepor-se” ao estímulo do treino.
  • Uma cadeira de escritório ergonómica e cara ajuda mesmo? Uma cadeira bem ajustável pode aliviar sintomas, mas não substitui musculatura ativa. Muitos médicos dizem: uma cadeira normal + mudanças ativas de postura vence uma cadeira premium + sentar-se sem parar.
  • Uma secretária de pé resolve todos os problemas de costas? Estar de pé alivia certas estruturas, mas pode sobrecarregar outras. O ideal é variar: ora sentado, ora de pé, ora a andar. Trabalhar horas seguidas e imóvel de pé é apenas outra forma de falta de movimento.
  • Como percebo que a minha musculatura das costas já está enfraquecida? Sinais típicos são cansaço rápido ao sentar-se direito, uma sensação de puxão na zona lombar após esforços curtos ou a impressão de estar constantemente a “afundar-se”. Se houver dores recorrentes, vale a pena procurar avaliação médica ou fisioterapêutica.

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